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A inovação tecnológica e o saldo do comércio exterior

A balança comercial do Brasil atingirá, este ano, recorde absoluto. Fato notável e digno de comemoração, sem dúvida. Consegue, assim, a atual administração um tento magnífico, sonhado há anos. Contudo, se analisarmos, veremos que dois pontos foram importantes: a queda nas importações e o aumento das exportações dos produtos primários; as chamadas commodities. E aqui, devem concentrar–se nossas preocupações e servir de referências para políticas nacionais: a propalada retomada do crescimento interno fatalmente conduzirá a necessidade de aumento de produtos importados, filme já visto em outras décadas e em outros países. Assim, para compensar tal crescimento, urge um incremento superior das exportações; e mais em profundidade, uma melhoria de perfil da pauta de produtos exportados.

De fato, é preocupante verificar que 25 produtos, a maioria commodities, respondem por 60% de nossas exportações e que apenas sete países respondem por mais da metade da receita de exportação. Tal quadro é insustentável a médio prazo, pois outros países emergentes também buscam saldos comerciais através da concorrência com o Brasil, na oferta de commodities; a exemplo dos países africanos com o cacau, e mais recentemente, o do Vietnã que, sem qualquer vocação histórica, tornou-se em 10 anos o segundo maior produtor mundial de café, conquistando fatia importante de participação em mercados antes abastecidos pelo Brasil.

As dificuldades de crescimento das exportações crescerão na razão direta do aumento da participação das commodities agrícolas na pauta. Soma–se a isso, o protecionismo dos países ricos e a entrada de novos players.

A saída, lógica e inequívoca, é a agregação de valor aos nossos produtos através da inovação tecnológica, caminho percorrido, com sucesso, por outros países. Para ficarmos no exemplo do café: a Alemanha, que não planta um só pé de rubiácea, é o maior exportador daquele produto, através de um complexo tecnológico que, utilizando grãos importados, transforma-os em produtos finos e diversificados, de largo consumo e maior valor agregado, auferindo cerca de U$ 3,3/Kg, contra U$ 1,3/Kg do produto em grão. Seguem outros exemplos, como o nosso cacau, que dá origem a chocolates finos na Suíça e na Bélgica, e a soja que é transformada em suculentos bifes vegetais no Canadá.

O caminho é difícil e longo, por isso mesmo são necessárias Políticas Públicas de Ciência e Tecnologia concatenadas e concertadas com o objetivo maior de resultados positivos na balança comercial. Se os recursos são poucos, por mais forte razão, devem ser bem empregados, focados em áreas de maior umpacto.

Tal caminho passa, forçosamente, por consistentes Políticas de Incentivos Fiscais à Inovação Tecnológica através de subsídios, subvenções, isenções, empréstimos a juros reduzidos e outras formas, largamente utilizadas por outros países, que perceberam e implantaram estas Políticas. Não coincidentemente, estes são os mais ricos, com grande saldos no comércio exterior, e com elevada qualidade de vida de seus cidadãos.

 

José Miguel Chaddad é diretor executivo da ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras)

 

 


Veja também o artigo "Parceria pela Terceirização na Exportação".

 

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